segunda-feira, 16 de outubro de 2017

E agora?

Ontem diziam-me que o país estava a arder e eu ignorei deliberadamente tudo o que era noticia, afastei-me das televisões, não abri o facebook, simplesmente não queria saber.
Antigamente quando via um incêndio na televisão ficava com os olhos cheios de lágrimas e o coração apertadinho a imaginar o que aquelas pessoas estavam a passar, mas agora eu sei o que aquelas pessoas estão a passar, agora eu sei o significado real da palavra impotência, agora eu sei o que é estar rodeada por chamas e então não quis ver, não quis saber, não quis sofrer... Mas à noite quando abri finalmente o facebook e fui inundada com todos aqueles vídeos e fotos e com os relatos desesperados de ajuda e hoje ao ver as imagens de um país sem ponta por onde se pegue, que arde completamente descontrolado, ao ver o número de mortos continuar a subir sem previsão de que pare.. Só consigo perguntar E AGORA?

Será que agora já chega para abrirem os olhos e começarem a levar a reforma florestal a sério?
Será que agora já é hora para pararem com as guerras politicas e unirem-se em prol de um país?
Será que agora começam a perceber que para se comandar uma situação desta natureza é preciso ter competências e não ser amigo de a, b ou c?

Não quero a cabeça do primeiro ministro, do presidente da republica ou da ministra da administração interna.
Não quero que nenhum deles se demita das suas funções, porque isso é brincar com o dinheiro dos portugueses, com a vida dos portugueses, com o país dos portugueses.
O que eu quero é que comecem a fazer o trabalho para que foram eleitos.

O que eu quero é que o presidente da republica pare de andar a distribuir beijinhos e abracinhos e assuma o seu papel como chefe maior das forças armadas e me explique porque estão os aviões portugueses parados quando podiam ser equipados para voar, porque estão os militares nos quartéis quando podiam estar a ajudar a população a apagar fogos.
Estamos com calamidade publica declarada, os bombeiros pedem às populações que saiam para o terreno para combater porque não há meios que cheguem e temos nós os quartéis cheios de militares que podiam estar a combater, a limpar mato, a fazer rescaldo permitindo que os bombeiros fossem mobilizados para frentes activas e nada disto acontece porquê? Porque não tem formação? Eu também não e apaguei fogo, as pessoas que estão a combater agora ao lado dos bombeiros também não e estão lá. Então explique-me senhor presidente da republica porque não foram os militares mobilizados para o combate e para a ajuda à população?

O que eu quero é que o primeiro ministro leve uma discussão a sério à assembleia sobre as causas dos incêndios, o que eu quero é que se investigue sem dó nem piedade o motivo da maioria destes incêndios, porque meus amigos, não ficámos de repente com mais "maluquinhos" do que tinhamos o ano passado, não foi só agora que a D. Joaquina achou engraçado os bombeiros andarem perto dela, nem foi só agora que o Sr. João quis ser o salvador da aldeia e pegar fogo para depois o apagar, nem foi só agora que o Sr. Manuel foi pago para atear um fogo que nem ele sabe o motivo. (os nomes são fictícios).
É preciso investigar cada um destes fogos, é preciso não apenas prender o incendiário mas saber o que o levou a cometer o crime, e é preciso fazer isto bem, porque como eu disse o número de "maluquinhos" não aumentou, se calhar aumentou foi o número de pagamentos aos "maluquinhos."
E são precisas penas exemplares para estes casos, uma pessoa que pega fogo não está a cometer um crime, está a cometer vários, crimes que vão desde o atentado ao património público até a um homicídio culposo. Como é que esta gente é julgada e me fica em pena suspensa? Não se pode destruir vidas e ficar impune, pegar um fogo não é o mesmo que roubar um iogurte num supermercado, estamos a falar de destruições com impactos dramáticos em vidas. É obrigatório que se mude a moldura penal destes crimes, é obrigatório que se façam investigações e se acabam com os benefícios de quem lucra com os incêndios sem medo de ofender o amigo do primo do vizinho.
O que eu quero é que o Primeiro Ministro comece a mandar limpar as florestas que pertencem ao estado e que comece a mandar cumprir a lei que obriga os proprietários a limpar os terrenos, porque esta lei de multas não muda porra nenhuma, para a multa ser passada já é preciso quase um milagre e depois a pessoa não paga, a multa apodrece na gaveta e ninguém faz nada, ninguém se mexe para que a pessoa cumpra os seus deveres para com o país. Limpar um terreno é um dever para com o país e tem de ser tratado como tal, mas primeiro o estado tem de dar o exemplo, porque senão perde a autoridade para falar do que quer que seja.

E o que eu quero é que a ministra da administração interna perceba que é preciso mudar tudo, é preciso que a floresta passe a ser uma prioridade no nosso país.
É preciso que ela fique limpa o ano inteiro - metam presos a limpar, nenhum vai morrer por limpar mata e pinhal.
É preciso que se vigie a floresta e se não querem pagar a guardas florestais, instalem câmeras 360º graus nas florestas, montem centros de comando que controlem florestas, montem postos de detecção de fumo que lancem alertas, não podemos deixar as nossas florestas abandonadas, não podemos deixá-las à mercê de criminosos.
É preciso que as câmaras municipais tenham planos elaborados de evacuação das suas aldeias, que os presidentes das mesmas sabem quantos habitantes há em cada aldeia, quais as aldeias mais idosas a evacuar primeiro, quais as estradas que mais facilmente serão atingidas pelo fogo e que precisam de ser imediatamente cortadas, quais os sítios mais seguros para onde evacuar a população.
Isto é um trabalho urgente e que cada câmara tem obrigação de fazer, eles tem obrigação de conhecer a sua zona e as suas gentes.
É urgente que a população seja formada para saber o que fazer em caso de incêndio, como reagir, como evacuar em segurança, quais os caminhos mais seguros para sair de determinada aldeia.
Isto não é nada ilusório e isto não é nada difícil de se conseguir, estamos a falar do interior onde existem aldeias com 10 pessoas. Nem toda a gente consegue manter a racionalidade nestas situações, ter um plano de fuga evitaria muitas desgraças.
É preciso que se instalem bocas de incêndio nas aldeias e na própria floresta, é inadmissível que os bombeiros tenham que abandonar aldeias para voltarem a encher os carros, é inadmissível que se coloquem a si mesmos em risco para procurarem água, não pode de todo acontecer.
É necessário que se instalem bombas nas aldeias que permitam que as mesmas tenham água após a electricidade falhar, é algo caro de por em prática, é. Mas com incêndios tão dispersos, onde não há meios que acudam a todos como se espera que uma população salve o que é seu se não tiverem água?
É um sentimento de impotência autêntica ver as coisas a arder e não ter água para salvar nada.
É necessário que sejam abertos caminhos pela floresta que permitam acessos, em muitas zonas tudo o que se pode fazer é deixar arder porque não há acessos e porque como não há onde abastecer os carros não se pode desperdiçar a água em floresta quando ela será precisa para defender casas.
E cara ministra da administração interna é urgente demitir todo o comando da protecção civil, é urgente tirar essas pessoas e construir uma equipa que realmente perceba de florestas, de incêndios, de protecção. Alguém que conheça o país e saiba o que fazer em momentos de crise.
A incompetência deste comando fica provado vez após vez, com estradas que não são mandadas cortar, com aldeias que ficam por evacuar, com aviões que não descolam porque estão a 1.7km a mais do que a distância máxima permitida.
Precisamos de pessoas competentes na área, não me importa se quem lá está é um fantástico amigo do ex não sei de que ministério, eu quero, o país quer, pessoas que saibam agir, pessoas que percebam a dimensão do papel que tem em mãos, pessoas que percebam de incêndios, pessoas que consigam ler as rotas do vento e posicionar correctamente aqueles homens de forma a combater os incêndios numa fase inicial e não quando a catástrofe já está instalada.

E podia dizer mais, podia dizer muito mais, por todos os que já morreram, por todos os que virão a morrer por incompetência e falta de interesse em resolver de forma eficaz tudo isto.
Mas por enquanto pergunto: E AGORA? Vamos continuar a enfiar a cabeça na areia, ou vamos começar a agir, vai demorar anos a mudar tudo? Vai. Mas temos de começar AGORA. para que não continuemos a chorar a vida dos nossos, para que não continuemos de coração nas mãos em todos os verões, para que "amanhã" ainda exista floresta.
A hora é agora e não daqui a mais 4 meses quando existirem mais mortos, não daqui a um ano quando os incêndios recomeçarem.

Façam aquilo para que foram eleitos.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Livros para vender

O post de hoje é um bocadinho diferente do habitual.
Tenho alguns (muitos) livros para vender e gostaria de partilhar a lista convosco. 
O preço já inclui portes de envio. Os livros estão todos novos e posso enviar-vos foto dos que tiverem interesse.
Se estiverem interessados em algum livro podem entrar em contacto comigo por mensagem para o facebook do blog, deixar um comentário com o vosso email ou enviarem-me mensagem pelo formulário de contacto aqui do blog.
Os envios serão todos feitos em correio registado. 
(há livros que tenho repetidos, daí poderem aparecer mais de uma vez na lista)
Deixo-vos então com a lista, se conhecerem alguém que goste de ler, partilhem com eles por favor. Obrigada.

100 conselhos para emagrecer - 6€
500 padrões ponto cruz - 5€
À Tona de Água - Necessidades em Portugal Tradição e Tendências Emergentes vol 1 - 10€
À Tona de Água - Retratos de um Portugal em Mudança vol 2 - 9€
(na compra de dois volumes ficam 15€)
Alberto Júlio Silva - Lugares Santos de Portugal - 10€
Alberto Pena - O Que Parece É - 10€
Alberto Xavier - O escandinavo Deslumbrado - 6€
Àlex Rovira e Francesc Mirales - Um coração cheio de estrelas - 6€
Alison Gopnik - O Bebé Filósofo - 7€
Amadeu Gomes de Araújo - Réu da República - 11€
Amélia Polónia - D. Henrique - 8€
Ana Cássia Rebelo - Ana de Amsterdam - 9€
Ana Margarida Oliveira - Pimenta da India - 9€
Ana Maria Almeida Martins - Antero de Quental e a viagem à America - 11€
Ana Sofia Fonseca - Capitãs de Abril - 10€
Anabela Natário - Portuguesas com História - 6€
António José Seguro - A reforma do parlamento português - 7€
António José Seguro - Compromissos para o futuro - 8€
António Sousa Homem - Páginas de melancolia e contentamento - 9€
António Sousa Homem - Um promontório em Moledo - 5€
Aquilino Ribeiro - Príncipes de Portugal - 8€
Arthur Rowshan - Pense com o coração - 7€
Beatrice Colin - Vida Luminosa de Lilly Aphrodite - 9€
Bee Wilson - A História da Invenção na Cozinha - 10€
Bernardo Gomes de Brito - História Trágico-Marítima - 5€
Biblioteca de História Larousse - História do mundo contemporâneo - 15€
Biblioteca de História Larousse - História do mundo contemporâneo - 15€
Biblioteca de História Larousse - História do mundo medieval - 15€
Biblioteca de História Larousse - História do mundo medieval - 15€
Biblioteca de História Larousse - História do mundo na idade moderna - 15€
Biblioteca de História Larousse - História do mundo na idade moderna - 15€
Biblioteca de História Larousse - História do mundo no séc XIX - 15€
Bill Bryson - Shakespeare - 7€
Carreira das Neves - O Coração da Igreja tem de Bater- 8€
Catherine Bybee - Conquistada até terça - 8€
Christian Jacq - Morzart o supremo mago - 5€
Christine Masson - Manual de boas maneiras - 7€
Colette Baron-Reid - O Mapa - 9€
Crónica de ouro do futebol portugues - 10€
Danielle Steel - A casa da rua da esperança - 8€
Danielle Steel - A luz que brilha - 8€
David Agus - Um Breve Guia Para Uma Vida Longa - 8€
David Soares - O Evangelho do Enforcado - 10€
Deborah Norvile - O poder do obrigado - 6€
Deborah Norvile - O poder do respeito - 6€
Dicionário da expansão portuguesa - Vol 2 (de i a z) - 17€
Diogo Freitas do Amaral - Camarate - 6€
Dr. Kevin Leman - O Pai de Que Ela Precisa - 8€
Dr. Kevin Leman - Transforme o seu filho até sexta - 7€
Dulce Maria Cardoso - A Bíblia de Lôá - 7€
Eduardo Gomes - Terra queimada - 10€
Elin Hilderbrand - A ilha - 6€
Emagrecer do mito à realidade - 6€
Faça você mesmo Presentes - 7€
Felícia Cabrita - Passos Coelho - 10€
Fernanda Câncio - Sermões impossíveis - 8€
Fernando Nobre - Gritos contra a indiferença - 5€
Fernando Nobre - Imagens contra a indiferença - 8€
Fina d'Armada - Republicanas Quase Desconhecidas - 5€
Francisco Bosco - Orféu de bicicleta - 7€
Gary Chapman - As cinco linguagens do amor dos adolescentes - 7€
Gérard de Villiers - Angola a ferro e fogo - 7€
Gonzalo Celorio - Três Lindas Cubanas - 11€
Guillaume Musso - e depois... - 7€
Guy de Maupassant - Contos do dia e da noite - 8€
Helena Cid - Todos para a mesa - 5€
Helga Gebert - Aladino Histórias das 1001 noites - 7€
História do corpo - Da revolução francesa à grande guerra -1 - 15€
História do corpo - Século XX as mutações do olhar 1 - 15€
História do corpo - Século XX as mutações do olhar 2 - 15€
Hugo de Azevedo - S. Josemaria Escrivá - 10€
Isabel Dos Guimarães Sá - Leonor de Lencastre - 10€
Isabel Galriça Neto - Cuidados Paleativos - 8€
Isabel Stiwell - Quem tem medo do lobo mau? - 8€
Isabel Valadão - Loanda Escravas, Donas e Senhoras - 8€
Jacqueline Susann - O vale das Bonecas - 10€
Jacques Attali - Decida a Sua Vida! - 8€
Janet Elder - Huck - 8€
Jennie Rooney - Dentro da Baleia - 8€
João Bonifácio - O Livro do Homem - 9€
João Magalhães - Quero Ser Médico - 1.50€ (sem portes)
João Malheiro - A Idade da Bola - 13€
João Negreiros - O amor és tu - 5€
João Poole da Costa e Helena Campos Henriques - Os Filhos de Curubi - 5€
João Poole da Costa e Helena Campos Henriques - Soldado de Acaso - 5€
João Poole da Costa e Helena Campos Henriques - Uma Mulher do Reino - 9€
Joaquim Franco e Frei Fernando Ventura - Somos Pobres Mas Somos Muitos - 7€
Joey Yap - a Arte de Ler o Rosto - 10€
John Twelve Hawks - a cidade dourada - 6€
Jonathan Ames - O Acompanhante - 8€
Jonuel Gonçalves - Franco atiradores - 8€
José Frèches - Eu, Buda - 6€
José Mattoso - História de portugal - o estado novo - 13€
José Mattoso - No alvorecer da modernidade - 13€
José Neves e Bruno Peixe Dias - A Política dos Muitos - 6€
José Viale Moutinho - À lareira - 12€
Julie Powell - Julie e Julia - 9€
Julien Green - Paris - 8€
Juliet Marillier - O Filho de Thor - vol. I (edição de bolso)- 5€
Júlio Magalhães - Longe do Meu Coração - 9€
Karen Armstrong - Buda - 6€
Karen Berg - ... A Continuar... - 8€
Katharina Munk - Estou pelos cabelos - 8€
Kelly Choi - A dieta do chá - 7€
Kirsty Sword Gusmão - Uma Mulher da Independência - 9€
Leontina Ventura - D. Afonso III - 8€
Lidia Rosenberg Aratangy - O anel que tu me deste - 6€
Lorna Byrne - De Onde Vem o Amor - 8€
lugares sagrados da América - 15€
Lugares sagrados de África - 15€
Lugares sagrados de portugal II - 15€
Lugares sagrados do oriente - 15€
Luís Mendonça de Carvalho - Etiqueta para o Sucesso - 6€
Madame de Lafayette - A princesa de Cléves - 8€
Madelyn Fernstrom e John Fernstrom - Não Coma Isto se Está a Tomar Aquilo - 8€
Manuel carvalho da silva - Vencer o medo - 5€
Manuel Jorge Marmelo - Uma Mentira Mil Vezes Repetida - 7€
Manuel Ricardo Miranda - Gungunhana - 8€
Manuel Teixeira Gomes - Novelas Eróticas - 5€
Maria - 10€
Maria Elisa Domingues - Amar e cuidar - 10€
Maria Fernanda Rollo e Fernando Rosas - História da Primeira República Portuguesa- 13€
Maria Filomena Mónica - Eça de Queirós - 8€
Maria Helena Ventura - Afonso, o Conquistador - 5€
Mariane Pearl - Um Coração Poderoso - 9€
Mário Cordeiro - Os nossos adolescentes e a droga - 10€
Mario Crespo - A Última Crónica - 9€
Mário Soares - Crónica de um tempo difícil - 10€
Mário Zambujal - Crónica dos Bons Malandros - 6€
Mary Higgins Clark - O azul dos teus olhos - 9€
Meg Cabot - Victoria e o Charlatão - 1.50€ (sem portes)
Megan Chance - o espirita - 6€
Neville Shone - Tudo sobre a dor - 5€
Nuno Galopim - Os últimos dias do rei - 10€
Orlando Figes - Sussurros - A Vida Privada na Rússia de Estaline - 11€
Orlando Leite / Pedro Teixeira Neves - Rota do Fado - 10€
Patrick French - Índia uma biografia intima - 5€
Paulo Aido - A confidente de Sá Carneiro - 7€
Paulo Jorge Garcia Pereira - Artes antigas- 15€
Paulo Jorge Garcia Pereira - Barroco - 15€
Paulo Jorge Garcia Pereira - Idade Media - 15€
Paulo Jorge Garcia Pereira - Oitocentos - 15€
Paulo Jorge Garcia Pereira - Renascimento - 15€
Paulo Pereira - Arte portuguesa História Essencial - 10€
Pedro Jorge Castro - Salazar e os Milionários - 10€
Peter V. Brett - A lança do deserto - 11€
Pilar Eyre - Segredos e Mentiras da Família Real Espanhola - 6€
Portugal Atlas do patrimonio - 15€
Portugal e a europa cronologia - 8€
Portugal e a europa Dicionário - 10€
Portugal e a europa testemunhos de protagonistas - 8€
Rabih Alameddine - O contador de histórias - 7€
Ricardo Sá Fernandes - O crime de camarate - 10€
Rodrigo Moita de Deus - Será Que as Mulheres Ainda Acreditam em Príncipes Encantados?- 7€
Romain Sardou - Livrai-nos do mal - 10€
Rosetta Forner - Contos de Fadas para aprender a viver - 7€
Rui Moreira de Carvalho - Compreender + África - 8€
Samantha Harvey - Os espaços em branco - 10€
Sara Cardoso - Escolho ser feliz - 6€
Sara Cardoso - O poder da energia positiva - 6€
Sofia Nunes da Silva - Psicologa de família - 10€
Stefan Bollmann - Mulheres que Lêem são Perigosas - 12€
Susan Carroll - A cortesã - 10€
Susan Carroll - A rainha das trevas - 10€
Tim Powers - Vodu das caraibas - 7€
Tristane Banon - O baile dos hipócritas - 6€
Uncinetto tutti punti - 5€
Ursula Doyle - Cartas de Amor de Grandes Mulheres - 4€
Vergílio Ferreira - Aparição - 8€
Vincente Alves do Ó - Florbella apeles e eu - 8€
Visconde de Montelo - Fátima Primeiros Escritos (1917-1923) - 10€
Zélia Sakai - Biochá - 10€

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A ajuda chegou ou não?

Nesta última semana uma das coisas que mais ouvi e li sobre Pedrogão foi sobre se a ajuda estaria ou não a chegar à população, ouvi tanta coisa que até eu que já tinha estado no terreno comecei a duvidar do que estava realmente a ser feito.

Como quem me lê sabe eu tenho casa nos Troviscais - Pedrogão e estava lá no dia do incêndio, (não me vou alongar muito sobre o inferno que foi e o que perdi porque já escrevi sobre isso aqui ), portanto sei o horror que foi e como a população foi afectada.

A primeira vez que voltei a Pedrogão foi 15 dias depois do incêndio e posso-vos dizer que embora saiba sempre o que vou encontrar, ainda hoje cada vez que entro no concelho, sinto a alma partir-se ao ver aquela extensão infindável de terra queimada, é absolutamente desolador passear pela floresta e ver as consequências do incêndio, não me consigo habituar aquela paisagem cinzenta...

Mas não é sobre isto que quero falar, na primeira vez que voltei levava o carro carregado de coisas que poderiam fazer falta a outras pessoas, levava inclusive um cabaz enorme de coisas doadas por uma amiga. Quando cheguei quis saber quem seriam as pessoas a quem as coisas fariam mais falta, quem precisava mais, quem teria perdido mais e a verdade é que a informação que tive - embora existam histórias obviamente dramáticas de quem perdeu tudo - foi que na minha aldeia (e atenção porque durante todo o texto falarei sobre o que se passa na minha aldeia) as coisas estavam controladas e as pessoas estavam a ser ajudadas.

A ajuda era a ideal? Não. Tinha sido feito um inventariado de quem precisava do quê? Não. Mas a ajuda estava lá. A informação que tive na altura foi de que quem precisasse se podia deslocar à associação para ir buscar as coisas que lhe fizessem falta. Não seria a minha forma de ajudar e não tive informação na altura de que a associação se deslocasse a casa das pessoas para entregar bens, pelo que me diziam a ajuda existia mas era desorganizada. Ninguém estava a passar fome, a dormir na rua ou com falta de bens essenciais.
Distribui o que levei pelas pessoas que achei que precisavam.

No dia 8 de Julho vi um video onde aparecia uma pessoa da minha aldeia (Troviscais Fundeiros) que supostamente teria perdido a horta e que por isso precisava de legumes, de água, de alimentos para o cão e o gato, entre outras coisas e eu fiquei chateada, confesso que fiquei muito chateada porque não era suposto aquilo acontecer, caramba aquela mulher mora perto de mim e ninguém me tinha dito que ela precisava de algo? A associação não tinha percebido que aquela mulher se encontrava com dificuldades?
Liguei para a aldeia e a reacção que tive foi de surpresa do outro lado, porque a descrição que eu estava a fazer das necessidades daquela pessoa não eram as mesmas que quem lá estava via. Mas ok, porque no meio de tanta tragédia as pessoas às vezes perdem-se um bocadinho a tratar de tanta coisa que não tem tempo de ver as necessidades dos outros. Acreditei no video que vi, acreditei tanto que me envolvi numa discussão não muito bonita com a associação da aldeia.

No mesmo dia vi um outro video também lá na aldeia onde se pedia água e onde uma outra senhora dizia que não tinha perdido nada mas que como a reforma era pequena podiam lá deixar coisas. Confesso que não entendi, não entendi como é que alguém que não perdeu nada pedia coisas e não entendi porque é que se pedia água. Eu tinha estado a beber água da torneira quando lá tinha estado. Estaria agora a água imprópria para consumo?

Marquei um encontro com pessoas da associação para o dia 15 de Julho, que era quando eu voltaria a estar no terreno, estava zangada com as supostas faltas de ajuda, com a suposta ineficácia deles e com as supostas necessidades que as pessoas estavam a passar quando existe tanta ajuda disponível em Pedrogão.

No sábado lá estava eu e tenho-vos a dizer que a realidade que vi não tem NADA a ver com a realidade que foi relatada nos vídeos, e atenção a culpa não é de quem gravou o video, a culpa não é de quem dá o seu tempo para ajudar, a culpa é das pessoas que se aproveitam da boa vontade e do bom coração dos outros. Mas já lá vamos.

Quando cheguei à associação foi-me contado o outro lado da história. E o outro lado mostra-nos como as coisas não são bonitas, vi provas de que por exemplo a senhora que no video diz que nunca lá tinha ido ninguém dar nada, tinha alguns dias antes recebido duas caixas cheias de produtos, vi provas de pessoas que a mim me disseram que nunca tinham recebido nada e que afinal já tinham ido buscar produtos mais do que uma vez, vi pessoas que não perderam nada irem buscar alimentos à associação, pessoas que já lá tinham estado no dia anterior, vi um senhor que não perdeu nada ficar chateado porque não havia meias para ele...
Fui ver os terrenos que arderam, conhecer as histórias de quem perdeu tudo, conhecer as histórias de quem mesmo no meio da sua tragédia e das suas perdas, abdica do seu tempo para distribuir ajuda pelos outros.

Na minha aldeia a ajuda só vai à porta de quem não se consegue deslocar, porque quem se consegue deslocar pode perfeitamente ir buscar as coisas que precisa, elas estão lá e qualquer pessoa as pode levar - inclusive quem não perdeu nada porque são essas as ordens que eles tem.
Além disso não tem lógica nenhuma que a ajuda vá à porta de quem não perdeu nada, seria ridículo e é ainda mais ridículo que as pessoas que não perderam nada se chateiem por não terem ajuda (mas chateiam-se).

Posso-vos dizer que na minha aldeia há quem se gabe de ter comida para os próximos 5 anos, leram bem, CINCO anos. Pessoas que foram a todos os postos de doação de alimentos encherem os sacos e que nem sequer perderam nada, nada, nem uma couve.
Há pessoas que não perderam nada a fazer mais alarido do que eu que tenho o quintal todo queimado e que sei lá quando vou ter dinheiro para voltar a cercar o mesmo.

Fui visitar a senhora que aparece no video a quem supostamente ardera a horta e posso-vos garantir que ela está lá verdinha, ardeu-lhe uma fileira da horta (uma fileira de uma horta enorme) e umas vinhas, nada que tire o sustento daquela senhora, nada que lhe vá tirar rendimentos.
Mesmo depois de ver o que lhe tinha ardido fiz-me de desentendida e perguntei-lhe se ainda precisava de alguma coisa (isto sabendo eu que ela já recebeu a visita de imensas pessoas, que nunca recusou nenhuma das doações e que nunca reencaminhou as pessoas para casa de outras pessoas que precisam mais do que ela), sabem o que me disse? Que precisava de comida para as galinhas porque desde o incêndio já tinha comprado 3 vezes comida para as galinhas. Confesso que fiquei feita parva a olhar para ela, caramba, antes do incêndio ela não comprava comida para as galinhas? Então porque é que agora não havia de comprar? Porque é que agora as pessoas teriam obrigação de lhe doar comida para as galinhas se ela não perdeu nada que lhe afecte os rendimentos?
A senhora tem mais comida para o cão e para o gato de que provavelmente algumas protectoras de animais que alimentam colónias inteiras,  mas se forem lá doar coisas ela vai continuar a aceitar em vez de vos reencaminhar para quem precisa mais do que ela, isto é normal?
Não acho.

Quanto à agua tenho visto vários pedidos de todo o lado a pedirem água, e posso-vos garantir que a água da torneira está potável e com um sabor normalíssimo, o que acontece é que estas pessoas estão habituadas a irem buscar água às fontes (já que é de borla) e a água das fontes realmente corre o risco de se tornar imprópria para consumo de um dia para outro. Mas desde que as pessoas tenham água da rede nunca ficarão sem água para consumo.
(Em compensação há sítios onde mora gente sem água canalizada e que essas sim precisam de garrafas de água)

Depois de ter visto as coisas pela aldeia fui directamente a Pedrogão ver se realmente a ajuda está ou não está acessível a quem precisa, dirigi-me à Santa Casa que é onde é feita a distribuição da alimentação, identifiquei-me, dei alguns dados que me pediram e sai de lá com um cabaz de alimentos para mais de um mês. Não me perguntaram o que me ardeu, não precisei de justificar porque estava a pedir alimentos, nada. Cheguei, dei os dados que me pediram e trouxe a comida. (que depois distribui)
Portanto a ajuda está lá, e está lá disponível para quem a quiser ir buscar. É complicado para quem tem dificuldade em deslocar-se? Provavelmente sim. Mas tendo em conta que as pessoas com dificuldades de mobilidade estão supostamente sinalizadas e recebem visitas com os alimentos, todos os outros podem e devem ir buscar a ajuda que precisarem.
Não fui às tendas com outro tipo de bens que não os alimentares, porque não preciso de roupa e não teria a quem distribuir portanto, seria um desperdício, não sei portanto como funciona a doação de roupa mas a de alimentação está aberta a quem precisar.

Sei que vou chocar agora com o que vou dizer mas a verdade é que existe ajuda a mais, as pessoas que não perderam NADA, tem as casas cheias de comida, os supermercados estão completamente às moscas porque as pessoas não precisam de fazer compras já que mesmo quem não perdeu nada pode ir buscar comida de borla - desafio-vos a irem ao minipreço de Pedrogão, está vazio.
E as pessoas estão a acomodar-se a isso, gastar dinheiro para quê se podemos ter de borla?

Peço por isso alguns cuidados aos voluntários que queiram ir ao terreno.
 1 - Passem nos sítios competentes para se identificarem e quando chegarem à casa de alguém identifiquem-se, as pessoas vão habituar-se a abrir a porta a estranhos e daqui a uns meses correm o risco de serem assaltadas.
2 - Se fizerem pedidos para doações tentem dar o mínimo de dados possíveis sobre a localização das pessoas, há pessoas que moram completamente isoladas e que daqui a uns meses serão uns petiscos para os ladrões - e quem anda no terreno sabe que com meia dúzia de minutos se sabe a vida inteira destas pessoas.
2 - Perguntem SEMPRE o que ardeu e o que cada pessoa perdeu, vocês podem estar a deixar a vossa ajuda a quem não perdeu nada enquanto na casa do lado pode estar alguém que perdeu tudo o que tinha.
3 - Quem passar pelos Troviscais em vez de ir a casa de alguém porque viu em algum lado, dirija-se à associação, lá eles informam quais são as pessoas que mais precisam de ajuda (arderam 9 habitações, há pessoas que ficaram sem nada, ainda há gente internada em Coimbra e portanto há casos mais tristes do que aqueles que já vimos) e caso seja necessário levam as pessoas até vocês para que lhes possam entregar as doações em mãos.
Se a associação estiver fechada os telefones dos responsáveis estão na porta.

4 - A melhor ajuda que podem dar no terreno é na reconstrução, por exemplo ajudando a replantar toda uma horta, a limpar todo um quintal. A reconstruir um curral. Mais do que dar o peixe é importante dar as canas para pescar, se alguém perdeu a horta de onde tirava o sustento ajudem-na a ter a horta de volta, vejam de onde vinha o sustento da pessoa e tentem ajuda-la a recuperar esse sustento.
5 - Antes de divulgarem um caso investiguem sempre se a situação é como vos estão a contar, infelizmente posso-vos garantir que existe muita gente a aproveitar-se da boa vontade alheia. Como vos disse vi provas das pessoas que já tinham recebido ajuda e que quando eu perguntava garantiam a pés juntos que não tinham recebido nada e precisavam de tudo.
6 - Se identificarem casos com necessidades realmente urgentes passem nos órgãos competentes e vejam se a situação está sinalizada e a ajuda está em curso, posso-vos dizer que há gente com 3 máquinas de lavar novas (e não, a pessoa não foi dar as duas que tem a mais a outras pessoas que precisem) e portanto ao mobilizarem ajuda para determinada situação podem estar a contribuir para este tipo de situações.

Se os voluntários e os órgãos competentes se unirem o trabalho é mais rápido, mais eficaz e a ajuda chegará a quem realmente precisa.
Não deixem de ajudar mas façam-no de forma organizada e com a noção de que nem tudo o que vos dizem é infelizmente verdade, e isto eu sei por experiência própria. O facto de acharmos que são todos honestos como nós não quer dizer que realmente o sejam. Investiguem.

E por fim OBRIGADA :)






quarta-feira, 28 de junho de 2017

O que falhou? - O inferno das chamas #2

Pensei muito se escrevia ou não este texto, se dizia aquilo que sinto ou calava as criticas que tanto passam pela cabeça de quem lá esteve mas ao ver os telejornais dos últimos dias, ao ver como o assunto vai caindo no esquecimento - e como é isso que o governo pretende - decidi que tinha sim de escrever o que penso, que tinha sim de falar do que correu mal.

Talvez algumas coisas não sejam como penso que são e nesse caso sintam-se à vontade para me corrigirem, mas isto.. isto é o que não podemos calar, não podemos deixar que torne a acontecer e acreditem, se não exigirmos mudanças, isto voltará a acontecer, porque acontece sempre, ano após ano..
Falhou quase tudo neste incêndio...

Comecemos:
Segundo as autoridades o fogo começou entre as 14h e as 15h. Nesta altura as temperaturas rondavam à vontade os 40º graus e dizem eles que o fogo começou em floresta de difícil acesso. Expliquem-me então - como se eu tivesse 5 anos - como é que se desvaloriza um fogo que começa em floresta num dia anormalmente quente?
Expliquem-me porque raio os aviões demoraram mais de duas horas a levantar (e perdoem-me mas eu as 17h /18h ou estava muito concentrada a apagar o fogo no meu quintal ou estava surda porque não ouvi aviões nenhuns no ar a esta hora).
Diz-se que os aviões não levantam imediatamente porque são caros e então se espera para ver se serão realmente necessários, a isto apetece-me soltar um valente Foda-se (e olhem que eu nem asneiras), esperamos para ver se o fogo vai queimar muita ou pouca floresta antes de mandar para lá um avião? Esperamos para ver se vai ameaçar casas antes de mandar para lá um avião? Esperamos para ver se estamos ou não a colocar os nossos bombeiros em risco antes de se mandar um avião?
Claro que a versão oficial não é esta, claro que nunca ouviremos um governante dizer que o avião não chega imediatamente a qualquer incêndio florestal porque é caro, a versão oficial é sempre de que o avião não tinha tecto para voar e fazer as descargas em segurança.
Suponho eu que isto se deva ao calor e ao fumo de um incêndio, mas pergunto eu, na minha inocência. Nunca ninguém se lembrou de colocar os aviões que não tem tecto para voar directamente em cima do fogo a molhar a floresta circundante? Nunca ninguém se lembrou que floresta molhada arde mais devagar e dá mais tempo aos bombeiros de apagar incêndios? Nunca ninguém se lembrou que mesmo em dias de calor as folhas retém humidade e que é mais fácil apagar fogo rasteiro do que fogo em copas de árvores? Nunca ninguém se lembrou que fogo rasteiro não propaga fagulhas a uma distância tão grande como fogo alto? Pergunto eu na minha inocência, porque é que os aviões que não podiam voar sobre o incêndio de Pedrogão não molharam a floresta à volta? Porque é que neste país se chora sempre sobre o leite derramado em vez de se evitar que ele se derrame?

Mas vamos seguir, vamos supor que não havia nada que os aviões pudessem ter feito - e havia, todos lemos em cima que havia. Alguém me explica porque é que não foram dadas ordens para que a estrada que liga Castanheira de Pêra a Pedrogão fosse cortada? Como é que se deixa aberta uma estrada que faz com que as pessoas saiam de zona segura para entrarem em zona perigosa? Como é que não se desvia o tráfego para evitar que as pessoas entrem numa povoação que está a ser consumida pelas chamas?
Mais, há gente que afirma que saiu da praia das Rocas às 18h sem ter noção da gravidade do incêndio em Pedrogão. Ninguém se lembrou de contactar a praia e pedir que as pessoas fossem informadas que não se deveriam dirigir para Pedrogão?
Além disso como se deixa aberta uma estrada completamente ladeada de árvores?
Como é que só havia GNR num dos lados da estrada? Como é que os GNR's que estão no fim da estrada vão saber o que se passa no inicio da mesma? Como é que vão ter noção se a estrada está ou não segura se só vem o fim dela e não sabem se lá no inicio a mesma já arde ou não??
Atenção, não estou a culpar os pobres dos GNR que estavam no local até porque o mais provável é que nem conhecessem o terreno, que tenham sido enviados para ali vindos de alguma terra vizinha e não tivessem o mínimo de conhecimento sobre aquelas estradas. E sendo assim como podiam eles adivinhar que aquela estrada se transformaria num túnel de fumo e calor? Não podiam, mas no posto de comando alguém tinha obrigação de saber, alguém devia saber quais são as estradas que tem de ser imediatamente cortadas, quais são as aldeias que tem de ser imediatamente evacuadas, quais são os pontos em que se tem de actuar imediatamente.

E isto leva-nos a outro ponto.
Quem comanda um incêndio não é o comandante dos bombeiros locais, quando chega o comandante do distrito o bombeiro local passa a obedecer a esse comandante e não ao seu comandante e expliquem-me lá que lógica tem isto? Então quem conhece o terreno é "destituído" por quem não conhece? O incêndio passa a estar nas mãos de quem não sabe quais as florestas mais propicias a arder, quais as aldeias que mais precisam de ajuda, quais as estradas a cortar?
A pessoa mais qualificada para dar ordens deixa de ter poder de as dar. Alguém me explica o motivo disto? Desde quando graduação é sinal de informação?

Mas continuemos:
Há aldeias que começaram a arder às 9 da noite, expliquem-me porque é que estas aldeias não foram evacuadas? Expliquem-me porque é que 6 horas depois de um fogo destas dimensões começar, depois de se ver como estava completamente descontrolado, não se evacuaram as aldeias onde o fogo ainda não tinha chegado. Expliquem-me como se deixou esta gente entregue a si mesma.
Não entendo como não foram dadas ordens de evacuação, eu não ouvi falar de uma única aldeia em Pedrogão que tenha sido mandada evacuar antes das chamas chegarem. Nem uma...
Expliquem-me porque não existem planos de evacuação pré-definidos, porque não existe já montado um sistema a ser usado em caso de emergência e não falo só em Pedrogão mas sim em todos os sítios que são maioritariamente constituídos por floresta.
Expliquem-me porque não existe um registo já feito das estradas que tem de ser imediatamente cortadas em caso de incêndio, das aldeias que em termos populacionais são mais vulneráveis (aldeias mais envelhecidas) e que por isso tem de ser imediatamente evacuadas. Não é algo difícil de fazer, basta que se percam uns dias de aldeia em aldeia a saber quem lá vive, quantos habitantes são, que idades tem, quantos conduzem, quantos conseguiriam sair pelo seu pé em caso de catástrofe. Tudo isto já devia estar feito, previamente feito, para que quando se chegasse ao terreno de fogo ser só colocar o plano em prática. "tu, tu e tu vão cortar as estradas y, vocês vão evacuar as aldeias z", sem ser preciso pensar muito e acima de tudo sem ser preciso perder tempo, tempo que se torna valioso quando o assunto é salvar vidas.

Mais, expliquem-me porque não existem ao longo das serras, florestas, aldeias etc, sítios onde os bombeiros possam reabastecer água, cada vez que um carro fica sem água ele tem de abandonar o terreno? - e por favor digam-me que estou errada, digam-me que eles não tem de abandonar a frente de combate para irem sabe-se lá onde abastecer colocando a própria vida em risco.
Quando a casa ao pé de mim começou a arder, os bombeiros saíram da encosta sem água (podem ler do que falo aqui) e foram reabastecer, demorando cerca de 2h a voltar. Estas duas horas fizeram obviamente a casa começar a queimar inteira em vez de ser apenas o telhado da mesma a arder. Ou seja, se aqueles bombeiros tivessem uma boca de incêndio ali, teriam conseguido apagar aquele telhado antes do fogo consumir toda a casa e a casa do lado não teria ardido.
Da mesma forma se existissem sítios onde eles se pudessem abastecer ou usar directamente a água, não precisariam de cumprir as ordens que tanto irritam a população do "deixa arder e interfere só quando ameaçar casas" mas é claro que eles tem que deixar arder, porque se gastarem a agua a apagar a floresta, não vão ter água para depois apagarem o que se aproximar das casas. Terão de se ir embora para abastecer e a casa ficará sem protecção. Então tudo o que eles podem fazer é mesmo deixar arder e poupar a água para salvar a casa.
É ridículo? É, mas neste país parece que só não faltam ideias de como meter dinheiro ao bolso, de resto, ideias de como fazer as coisas melhorar, nunca aparecem...

Falemos agora das comunicações, a mim dá-me muita vontade de rir quando oiço que as falhas foram coisas de minutos. Dá-me para rir, fazer o quê?
Sei de um caso em que um GNR não sabia se podia ou não deixar passar por uma estrada porque estava à espera de "linha" para comunicar e obter a informação. Ora se este homem estivesse rodeado de chamas a pedir ajuda, como seria? Morreria enquanto esperava pela linha?? Isto é normal?
Ninguém pensou que o Siresp precisava de linhas exclusivas? Ninguém pensou que no caso de uma tragédia como esta as pessoas vão agarrar nos telemóveis para ligar de forma exaustiva seja para os meios de ajuda, seja para as próprias famílias e que isso vai sobrecarregar linhas?
Mas supondo que o Siresp até tem uma linha própria (que acho que não tem mas posso estar errada), ninguém pensou que existiram centenas de comunicações a serem feitas? Comunicações do 112 para eles, comunicações de gnr para gnr, de bombeiros para bombeiros, de protecção civil para protecção civil e depois entre as diferentes entidades? Ninguém achou que existiria uma sobrecarga de linha?
Cada vez que estes homens ficaram sem comunicações as suas vidas foram colocadas em risco, o que faria uma equipa de bombeiros de outra localidade se estivesse rodeada de chamas? Pediria ajuda a quem para sair dali se não tinham siresp nem telemóvel e não conheciam o terreno? Eu já nem estou a falar da população mas sim da vida das pessoas que se deslocaram propositadamente para lá para ajudar e que foram colocados em risco pela incompetência de um sistema que nos custou milhões e que quando mais foi preciso falhou.

E falando em comunicações tenho de falar da incompetência de quem atende as chamadas do 112, processem-me se quiserem (não, não processem que eu não tenho dinheiro para um advogado) mas não há outro nome para chamar a não ser incompetência, é que podia ser só eu a ter azar com as pessoas que apanho do outro lado da linha, mas não sou. Há uma falta de empatia por quem está do outro lado que é uma coisa ridícula de se ver, quem está a atender uma chamada de emergência tem de perceber que do outro lado está alguém em aflição, ninguém liga para o 112 se não precisar (tirando os parvos), ninguém liga para o 112 para fazer o atendente perder tempo, liga-se porque se precisa de ajuda. E quando se precisa de ajuda a pessoa espera obtê-la e não é isso que acontece muitas vezes no 112.
Já li que as pessoas do outro lado se deviam sentir sobrecarregadas pelo volume de chamadas e impotentes por não poderem fazer grande coisa, mas isso é motivo para responder mal a quem está cercado pelas chamas? Para ser ignorante com alguém que sabe lá se vai perder tudo ou não? Para desligar chamadas na cara de quem tem o fogo à frente? Não fui só eu que recebi respostas ridículas do 112 (mais uma vez podem ver do que falo aqui), houve quem fosse chamado de mal educado por exemplo, sim porque meus amores, as pessoas estão rodeadas de fogo, sem bombeiros e o atendente do 112 acha que a pessoa tem de ser politicamente correcta a pedir ajuda e que se não for lhe pode desligar o telefone na cara. Até os operadores de call center da Meo ouvem barbaridades sem desligarem o telefone mas os do 112 são sensíveis...
Não, amigos, não podem ser. Para se trabalhar no 112 há duas coisas que deviam ser obrigatórias, ser empático e não ser sensível. Não podemos esperar que as pessoas sejam politicamente correctas em momentos de aflição. Eu sou uma pessoa calma, que transmito todas as informações pedidas sem pestanejar e não digo asneiras, eu sou objectiva e mais pardais ao ninho e mesmo assim oiço coisas ridículas. Agora imaginem uma pessoa nervosa, que quando está em pânico solta uns alhos e bugalhos a ligar para o 112 porque está rodeada de chamas. Vocês acham que esta pessoa vai ser politicamente correcta? Não vai porque não consegue, porque está a ver o trabalho de uma vida a ponto de ser destruído e do outro lado estão a ser arrogantes e a desvalorizar o sofrimento e a aflição dela. Isto não pode acontecer, nunca, seja qual for a situação.
A pessoa que está do outro lado tem que - no mínimo - tentar acalmar a pessoa para obter informações claras e tem - no mínimo - que lhe passar a informação de que tudo será feito para ajudar. Imaginem aquele caso da mulher que telefonou para o 911 a pedir uma pizza quando estava a ser vitima de violência doméstica em versão portuguesa. Não só não obtinha ajuda como ainda era ofendida e lhe desligavam o telefone na cara.
E isto não aconteceu porque era um dia de elevado número de chamadas no 112, isto acontece todos os dias, se nunca tiveram um mau atendimento no 112 são uns sortudos, mas perguntem aos vossos amigos e familiares e eu duvido que não oiçam histórias de deixar qualquer um de cabelos em pé. É urgente que se mudem as politicas de quem atende o 112 (sejam elas quais forem), é urgente que aquelas pessoas aprendam o que é a empatia.

Quase a terminar:
Quanto à protecção civil eu gostaria de saber qual é o critério de adesão (não vou dizer o óbvio porque posso ser processada e eu já disse que não tenho dinheiro para o advogado), porque não me parece possível que alguém da mesma responda que não conhece a aldeia de onde se pede ajuda para evacuar, ou se responda que determinada aldeia não é prioritária. Quer dizer a aldeia está rodeada de fogo, há crianças a precisar de evacuação, há idosos sem mobilidade mas a aldeia não é prioritária.
A minha pergunta é só uma, houve alguma aldeia prioritária em Pedrogão? É que eu acho que não.

E por fim:
Quantas pessoas morreram neste incêndio? A pergunta não é retórica, responda-me o primeiro ministro, a ministra da administração interna, o chefe da protecção civil, qualquer um deles, quantas pessoas morreram neste incêndio? E não, não me digam que foram 64 porque quem esteve no terreno sabe que não foram, perguntem meus amigos a qualquer bombeiro que conheçam e tenha estado no terreno quantas pessoas morreram neste incêndio e vão ficar de queixo caído com a resposta.
Deixaram de actualizar o número de mortos quando as criticas se tornaram demasiadas, quando a desculpa de que não falhou nada deixou de colar. Se não falhou nada e morreu tanta gente, imaginemos o que teria acontecido se tivesse falhado.
Vai existir um relatório, relatório esse que supostamente terá de ser publico. Eu vou esperar para ver quantos mortos aparecerão lá, quantas famílias perderam realmente os seus, quantos nomes ficaram esquecidos porque não convinha mencionar a real dimensão da tragédia.

Eu não quero que ninguém se demita das suas funções pelos erros que custaram tantas vidas, não, eu quero é que o desespero que senti naquele dia sirva para que os outros aprendam alguma coisa. Eu espero que as pessoas que hoje choram porque perderam alguém amanhã não sejam outras.
Eu quero que se deixem de merdas e comecem a ser competentes no vosso trabalho, eu quero que se deixem de desculpas e se coloque a força aérea a combater incêndios e não me venham dizer que o investimento é alto e os custos de manutenção são caros, aprendam a fazer contas a longo prazo e não a curto. Pagasse mais de 30 mil euros à hora , vou repetir, 30 MIL EUROS À HORA, aos aviões que combatem incêndios, vão me dizer que o valor que gastamos em meia dúzia de anos não rende o investimento? Os nossos pilotos são dos mais competentes do mundo, deixem-se de desculpas da treta e comecem a investir no que tem de ser feito. Temos condições, temos meios e temos necessidade. Então deixem os interesses privados de lado e coloquem os do país em primeiro lugar que foi por isso que foram eleitos.
Façam leis severas para quem deliberadamente incendeia as florestas, investiguem as coisas a fundo, não apenas de quem queimou mas de quem mandou queimar, façam a pena tão pesada que até os pirómanos pensem duas vezes antes de cometer o crime quanto mais os que o fazem apenas pelo dinheiro.
Incendiar uma floresta é um crime ambiental, é um crime contra o património publico e muitas vezes privado, é ofensa à integridade física de todos os que o combatem, é homicídio por negligencia e homicídio premeditado em muitos dos casos e mesmo assim os tipos saem soltos com termos de identidade e residência, com pulseiras electrónicas, com penas suspensas. Que merda (eu juro que não digo asneiras, mas não há outro termo a aplicar) de lei é esta? Quando é que começamos a fazer leis justas neste país? Destrói-se a vida de quem perdeu tudo e sai-se impune? (neste país sim, olhemos para o Salgado).
Comecem a fazer cumprir as leis que já existem, não conheço UMA estrada na minha aldeia que tenha as árvores a 10 metros de distância, digam-me vocês quantas estradas conhecem com árvores a 10 metros em zonas florestais...
Limpem os terrenos que vos pertencem, as florestas que são vossas, metam os presos a fazer o trabalho, eles até ganham mais que os bombeiros..
Criem formas dos terrenos abandonados serem limpos - façam inventários do que existe neste país. Façam com que os idosos que já não tem forças para pegar numa enxada tenham ajuda para limparem os próprios terrenos.
Deixem-se de por os milhões dos eucaliptos ao bolso e criem zonas reservadas para serem cultivados, obriguem a que sejam delimitados por sobreiros, carvalhos e aquelas árvores que supostamente são mais resistentes ao fogo.
Criem planos de evacuações de aldeias, aqueles de que falei em cima e não vou repetir.
E olhem para os bombeiros, durante todo o ano e não apenas quando morrem. Não lhes serve de nada terem o governo inteiro no funeral, serve-lhes é que durante o ano sejam criadas condições para que trabalhem em segurança. Criem caminhos nas florestas para que tenham acessos seguros, instalem as bocas de incêndio para que mesmo que fiquem sem água possam trabalhar, criem sistemas de comunicação que não falhem e olhem bem para o ridículo que é pagar 1.87€ a um bombeiro, foram eles os únicos que não falharam neste incêndio, foram eles que mais uma vez saíram de casa sem saber se voltariam para socorrer os outros, muitos andaram a combater sem saberem se os seus estavam seguros. Pagamos 1.87€ por hora a um bombeiro que arrisca a vida por estranhos e depois pagamos 90.000 de reforma a quem pelo contrário destruiu a vida de milhares de pessoas. Só neste país.. Só mesmo neste país..

E podia escrever mais.. muito mais.. Mas fiquemos por aqui!


sexta-feira, 23 de junho de 2017

O pior dia da minha vida .. O inferno das chamas.

17 de Junho de 2017 - Sábado

São 10 horas da manhã e a minha cadela obriga-me a levantar, na rua o calor é imenso e as minhas pequenas em vez de um bom dia perguntam-me se já podem ir para a piscina insuflável que o avô encheu para elas no quintal.
Sim já podem, fico a vigiar enquanto tomo o pequeno almoço e me deito na espreguiçadeira a apanhar sol.
Um dia normal, um calor anormal.
Por volta do meio dia obrigo-as a contra gosto a irem para casa, o calor é insuportável até à sombra.

Passam das 16 horas quando volto a olhar para o relógio para ver se a hora de perigo do sol já passou, sim supostamente já passou. Assim que meto os pés no quintal reparo num céu escuro e cheio de fumo, chamo o meu pai "acho que há fogo" e saio do quintal enquanto ele vai procurar noticias na televisão e falar com a minha mãe.

Na rua sem sombras o calor é ainda mais intenso, a minha vizinha anda de um lado para o outro para perceber de onde vem o fumo, vamos à rua de trás e conseguimos ver 3 pontos de fumo. Apenas isso, 3 pontos de fumo que a mim me parecem longe, muito longe.

Ainda não são 17 horas e já não é só a encosta traseira que arde ao longe, quando saio de casa depois de ter trocado o bikini por um soutien de desporto para ir ver se o céu tinha clareado o suficiente para ir dar o meu passeio pela floresta, a minha mãe grita-me que na encosta lateral já se vêem as chamas. Chamas? Quais chamas? Eu que não vejo nada ao longe continuo a ver apenas pontos de fumo. Mas já não são pontos de fumo nas encostas traseiras, são pontos de fumo nas encostas de trás e na lateral direita. Digo-lhe que ligue para a vizinha da encosta da frente e lhe pergunte, do sitio dela deve-se ver melhor.
O meu pai ouve que o fogo se dirige para as Fontainhas, são 3 km até minha casa, na minha cabeça continua tudo a estar muito longe, é muita floresta não pode arder tudo. Ele e os meus vizinhos decidem ir até ao centro da aldeia, tentar perceber afinal onde está realmente o fogo.
A vizinha da encosta da frente diz ao telefone que também ela vê as chamas, diz-nos que comecemos a molhar tudo.
E eu começo, começo com a despreocupação de quem nunca pensou que o fogo ali chegaria, com a calma de quem vê sempre o lado bom das coisas e acha que estão apenas a exagerar, com uns chinelos nos pés, uns calções de ganga e um top vestido. Começo a molhar o quintal, com a mangueira onde ela chega e com baldes onde ela não chega.
A minha mãe começa a ficar assustada, o medo de quem já passou por fogos que eu apenas vi na televisão, mando-a ligar ao meu pai e ficar em casa com as crianças, grito que fechem a minha cadela.  A urgência na minha voz contrasta com a calma que sinto por dentro, "é só um susto, ele não vai chegar aqui", continuo a pensar.
E de repente as fagulhas começam a cair no meu quintal, de repente é real e eu sei que vai acontecer, começo a apagá-las, o mais rápido que consigo, não as posso deixar pegar.
O meu pai chega, enquanto eu apago as fagulhas com os baldes ele engata as mangueiras para que cheguem a todo o terreno e assume o quintal.
Assim que ele pega na mangueira eu deixo de ter água para ajudar ali.

Entro em casa e informo que preciso de panos molhados, o quintal está a arder e o fumo começa a tornar-se insustentável, é preciso continuar a respirar. Entrego uma toalha molhada ao meu pai e passo para a frente da casa.

Dentro de casa a minha mãe começa a ligar para onde pode, pede à protecção civil que lhe venham buscar as netas, na primeira vez dizem-lhe que sim, que vão já enviar alguém. Foi a única vez que o fizeram, de todas as outras vezes as respostas foram as mais descabidas possíveis.
Começa também a ligar para as minhas irmãs, só consegue falar com uma, e para a minha avó. Inicialmente calma, pedia apenas que tentassem entrar em contacto com a gnr para que fossem buscar as crianças.

Na frente da casa descubro que estamos cercados, completamente cercados, todas as nossas encostas ardem, é urgente fazer alguma coisa, tenho os meus para salvar.
A casa ao lado da minha - e que é colada na minha - tem mato à frente que começa a arder - é uma casa penhorada e a entidade que a penhorou nunca se deu ao trabalho de ir limpar o terreno.
Começamos a apagar, eu e a Paula - que é a namorada do Bruno, que por sua vez é meu vizinho - e estava lá por milagre nesse dia - atiramos baldes de água sem nem sequer sabermos se estamos a atirar para o sitio certo, o muro da casa não nos deixa ver nada. Ela pontapeia o portão, mas ele nem se mexe, atiramos a agua por cima do muro.
Olho para a minha videira - a única que sobreviveu - e reparo que as folhas pendem para o quintal do lado, não posso deixar que o fogo chegue ali. Molho o muro por dentro e por fora, pego na mangueira mas descubro que se a usar tiro a pressão da água ao meu pai, terei de usar os baldes.

Ao pé do meu carro algo começa a arder, não dou por nada, apenas a mãe da Paula se apercebe e consegue apagar, salvou-me o carro e o da filha, nós só soubemos no fim.

No terreno do lado existe um carro (penhorado e que lá ficou a apodrecer), o pai da Paula usa uma mangueira ligada ao vizinho para molhar à volta, aquele carro não pode pegar, se explodir arde tudo.
Noutro lado o meu vizinho e o Bruno combatem com mangueiras o terreno lateral, para que não chegue à casa deles, para que não mate os animais.
Quando controlam esse terreno correm para nós, eu e a Paula continuamos a atirar água pelo muro, nem sabemos muito bem para onde. Vou buscar uma escada que o vizinho usa para subir para o muro, começamos a passar-lhe os baldes, ele atira a água para os sítios certos.
Finalmente também aqui está seguro.

A minha mãe continua em casa, fechada com as crianças e a cadela, num desespero profundo de quem tem as netas para salvar mas não pode fazer nada a não ser esperar que os seus o consigam fazer. Foi - na minha opinião - quem viveu a parte mais difícil deste incêndio, a de olhar para as crianças e não saber o que fazer, a de ouvir os gritos de quem está cá fora e só perceber metade, a de quem deixa de ver o marido e a filha e não sabe se estão bem ou se já lhes aconteceu alguma coisa.
Liga para a minha irmã e pede-lhe desculpa por não lhe salvar as filhas, liga para a minha tia e suplica que alguém lhe tire as netas dali, liga para a minha avó e o desespero consome-lhe a alma.

Corro para o quintal de trás para ver do meu pai, vejo o quintal queimado, começa a estar tudo queimado no meu quintal, mas ele está a aguentar-se, está a conseguir evitar que as chamas cheguem à casa. Entro em casa apenas para dizer que estamos bem, estamos a conseguir.

Corro de volta à frente da casa, o quintal "abandonado" ao lado da minha casa arde e é preciso apaga-lo, continuo de chinelos. Corro com baldes e vou apagando o que posso apagar, o pai da Paula continua com a mangueira, a Paula, o meu vizinho e o Bruno vão para outra encosta tentar salvar a casa dos pais da minha vizinha.
Nós continuamos ali, estou encharcada, umas vezes porque durante as corridas com os baldes a agua saltava, outras porque tive realmente que despejar agua em cima para continuar a hidratar os olhos, para continuar a ver alguma coisa, o fumo é sempre muito intenso, há alturas em que não consigo ver os meus pés.
Corro pelo quintal vizinho e sinto os pés queimar, umas vezes porque torci os pés e outras porque simplesmente perdi os chinelos no meio das corridas, passei em cima de tábuas a arder e tenho a certeza que tenho os pés queimados. Mas também tenho a certeza que não morrerei ali, senti sempre durante todo o tempo que o incêndio durou que não estava sozinha, talvez os outros não entendam, mas no meu ombro senti sempre a mão de Deus, eu não combati sozinha, Deus esteve ali o tempo todo.
Os calções estão demasiado pesados e começam a cair-me, não consigo correr com eles, preciso de os trocar e corro para casa, é ai que me apercebo que já não temos luz, visto umas bermudas que acho no meio da pressa, mas não tenho tempo de procurar os ténis, de me sentar para os calçar.
Saio de casa e a minha mãe grita-me qualquer coisa, digo que não posso parar, tenho a certeza que tenho os pés queimados e se parar talvez não consiga continuar, manda-me calçar uns ténis por amor de Deus, digo que não tenho tempo enquanto encho mais um balde na piscina das miúdas, corro de volta ao terreno. Na próxima vez que corro para encher um balde entrega-me uns crocs, uns daqueles de inverno com pelo por dentro, assim que os calço sinto os pés arderem, penso para comigo que é o calor em cima das queimaduras e continuo, continuo sempre.

São quase 8 da noite, ou talvez tenha passado um pouco já.
Não temos luz, nem água, nem rede no telemóvel mas apagamos o incêndio à nossa volta. A casa já não está em perigo, o quintal de trás e de lado estão apagados,conseguimos apagar tudo antes de nos faltar a água e ainda tivemos tempo de apagar as oliveiras de uma outra vizinha.

A minha mãe pode finalmente sair de casa, as minhas sobrinhas podem voltar cá fora.
Assim que a minha mãe realmente percebe que o perigo imediato passou e que estamos vivos todos vivos, volta a assumir o controlo da situação, volta a liderar como sempre fez ao longo da minha vida.

Quando olho à minha volta percebo que as nossas encostas continuam todas a arder, a minha vizinha da encosta da frente está a conseguir salvar a casa mas atrás dela já outras arderam, não há uma encosta que não arda.
Há uma que me preocupa especialmente, parece-me demasiado perto de pegar num terreno perto do nosso, o meu pai diz-me que é longe, hoje sei que não é.
Olho para a encosta de trás e a minha vizinha diz que a casa de não sei quem está a arder, não sei quem é a senhora, mas estou a olhar para a casa quando a mesma rebenta numa bola de fogo, o gás explodiu e levou a casa com ele, apetece-me chorar profundamente por aquela pessoa que perdeu tudo. Nesta altura não tenho noção da dimensão da tragédia, de quantas vezes me apeteceria chorar por quem perdeu tudo. Mas na altura não choro, não choro porque não posso, há uma situação a resolver e chorar não a resolve.
Não há rede nos telemóveis, apenas o telefone de casa da minha vizinha funciona, não sei que raio de rede aquilo apanha mas teve sempre rede. Digo à minha mãe que avise a minha irmã que estamos bem, diz-me que não é capaz, agarro no telefone e percebo pela primeira vez que estou a tremer, ninguém viu, eu não disse a ninguém.

Telefono à minha irmã, digo que estamos bem e já não estamos em perigo, diz-me que lhe tire as filhas dali, mas não posso porque as estradas estão cortadas, por ela tínhamos saído, mal sabia ela que se o tivéssemos feito seriamos mais um numero na estatística da estrada.
As minhas sobrinhas não tem uma noção real do que aconteceu, observam o fogo ao longe sem terem noção de que ele já esteve tão perto.

Vou ao meu quintal e choro, choro sem que ninguém veja. Está tudo queimado, mal sabia eu o quanto ainda estaria queimado... Mas não há tempo para isto, não há tempo para chorar. Limpo as lágrimas e regresso, sou de novo a pessoa calma e forte que todos conhecem, estou de novo pronta a acalmar e a resolver situações.

Vemos uma ambulância do inem na encosta, algum tempo depois vemos bombeiros, não estão ao pé de nós estão nas encostas, não importa, são as nossas encostas e é um alivio tremendo vê-los lá.

O Bruno, a Paula e o meu vizinho voltam, os bombeiros assumiram e eles não tem água, não podem fazer mais nada. A casa que foram salvar não ardeu, conseguiram mais uma vez.

Vou por os pés em água, convencida de que os tenho queimados, não queria parar e fazê-lo mas a minha mãe não me deu hipóteses, meto-os na água e começo à procura das bolhas, das queimaduras do que quer que seja, mas não está lá nada, os meus pés estão pretos sim (tão pretos que demoraram mais do que um banho a voltar à cor normal), mas não tenho uma queimadura que seja, uma única bolha. Sorri, pela primeira vez no meio daquela loucura sorri. Eu sabia que Deus tinha estado sempre comigo, mas isto, isto é ainda mais do que eu estava à espera.

Não temos água mas os bombeiros estão na encosta, pensamos que podemos respirar fundo mas não dura muito tempo, o telhado de uma casa no inicio da nossa rua começa a arder, parece-nos estar mesmo no inicio e tentamos ir lá com escadas e baldes, mas assim que o meu vizinho sobe as escadas descobre que o mesmo já está todo a queimar por dentro. Precisamos dos bombeiros.

O Bruno corre à encosta a chamá-los, mas já não tem água, vão abastecer e só depois podem voltar.

De Lisboa saíram tios e primos que se meteram à estrada para tentarem vir buscar as minhas miúdas.
Vamos tendo noticias por mensagens que chegam de tempos a tempos quando a rede o permite, respondemos sabendo que as respostas demorarão a chegar. Dizemos que estamos bem, mas eles que tem televisão não acreditam, todos acharam que mentíamos.

Passam das 10 da noite, as meninas deitam-se no sofá para que possam dormir enquanto esperam que supostamente alguém as venha buscar, sou sincera, não acredito que alguém apareça, as estradas estão cortadas e desde as 17 horas que é suposto que alguém responsável pelas evacuações venha.

De vez em quando vou ao quintal, vejo as luzes dos bombeiros junto da casa que arde mas não tenho noção do que lá se passa, no entanto confio neles, se eles estão ali então está tudo seguro.

À meia noite a rede dá uma trégua e recebo mensagens, uma das minhas irmãs diz que minto e que vamos morrer todos e eu não quero dizer, a outra suplica-me que me meta à estrada porque já há 17 mortos, a mim apetece-me dizer-lhes que deixem de ser histéricas mas talvez também eu fosse histérica se estivesse a não sei quantos km impotente sem saber como salvar os meus.

À uma da manhã vou ver o que se passa na casa que arde, os bombeiros já saíram, foram chamados para outro lado e deixaram a casa em fogo baixo, subo os degraus de tijolo e espreito para dentro da casa, o fogo está longe de estar baixo, não vai demorar muito a voltar a pegar tudo.
São 1.08 da manhã quando ligo pela primeira vez para o 112, desde as 17h que combatemos incêndio e esta é a primeira vez que lhes ligo, a resposta que tenho é que se não estão lá meios é porque não há meios, explico que existe uma floresta atrás que ainda não ardeu e que se arder não teremos como travá-la, respondem-me que já muita gente perdeu a casa e até a vida e desligam-me o telefone.
Foi assim a noite toda, com pedidos de suplicas que não foram ouvidas, tenho a certeza que muitos dos nossos telefonemas não foram sequer passado a um comandante. Nenhum bombeiro de incêndio voltou ao local.

Desde as 23h que os meus tios e prima estão em Pedrogão Grande no posto de comando, mas não os deixam passar, desde essa hora que pedem ajuda para que alguém tire as minhas sobrinhas do local. Há 1h30 da manhã os bombeiros de Maceira assumem o risco e com a minha tia na ambulância a indicar o caminho, deslocam-se ao local. Ás 2h as minhas sobrinhas e a minha cadela são evacuadas, que aventura que elas acreditam ter vivido, andaram de ambulância e ainda levaram o cão. Os amigos nem vão acreditar. Como a inocência das crianças é maravilhosa. Quase às 5 chegam a Lisboa.

Quando foram buscar as crianças pedimos a uma outra ambulância ajuda para a casa que ardia, disse-nos que ia informar o comandante, não sei se o fez ou se no meio de alguma outra ocorrência se esqueceu mas a verdade é que ficámos ali, sentados à espera que eles chegassem.
De vez em quando parecia que ia chover, mas nunca chovia de verdade. E ali ficámos nós 5 gatos pingados a olhar para uma casa a arder (o meu vizinho, a Paula e os pais tinham ido combater o incêndio perto da própria casa) enquanto acompanhávamos as fagulhas e rezávamos para que se apagassem no ar sem chegarem nunca aos nossos telhados.

Às 3 da manhã começamos a ouvir pequenas explosões, inicialmente pareciam-nos vir da casa a arder, mas não conseguíamos imaginar o que ainda haveria ali para explodir, quando fomos investigar descobrimos que não era ali, a casa colada a essa estava a arder. É uma casa que estava a ser recuperada e que na sua recuperação foram usados materiais bastante inflamáveis, madeiras, espumas, esferovite. Ligámos 112, suplicámos que entendessem mas não vinham. não ouviam, não queriam saber, desligaram várias vezes o telefone.

Às 4 da manhã comecei a sentir o coração na boca e aquele aperto de quem não consegue respirar, não me podia dar ao luxo de falhar, não ali, não agora, fui até minha casa e ai fiquei no sofá, a respirar fundo, a tentar regular o ritmo cardíaco. A minha mãe foi ver de mim, queria por que queria chamar uma ambulância, recusei, disse-me que se chamássemos uma ambulância talvez viesse um carro de incêndio também, acedi.

Comecei a pensar no que fazer se tivesse que sair dali, sabia que tinha o coração a rebentar, que era só ansiedade mas não conseguia regular nada, o sentimento de impotência é o pior sentimento do mundo.
Se saísse tinha de levar a minha vizinha comigo, ela era a única que não entendia que se o fogo chegasse aos pinheiros não poderíamos fazer nada a não ser fugir. Obriguei o meu pai a deixar o carro preparado para uma fuga e comecei a respirar, mas não adiantava, o nó nos pulmões não desaparecia, como se o ar nunca fosse suficiente.

Fui com a minha vizinha e o Bruno ao inicio da aldeia, talvez algum carro dos bombeiros estivesse ali e pudesse acudir as casas, não se via ninguém, parecia uma aldeia fantasma. Ao inicio da vila vimos algumas pessoas a regressar, iam contando o que tinham visto e sabiam, nem sequer sei de onde vinham.

A ambulância parou ao meu lado a perguntar se sabia onde era a minha própria rua, mandei-os para lá, sabia que estavam ali por minha causa, mas precisava que vissem o que ardia, precisava que talvez eles pedissem ajuda.

Comecei nesta altura a racionalizar como levar a minha vizinha comigo, começámos a regressar a casa e a ambulância voltou, parou já sabiam que era por mim que estavam ali,  Mandei o Bruno de volta a casa e pedi à vizinha que ficasse comigo, na avaliação o bombeiro não entendeu muito bem como é que eu estava a andar e a falar, o ritmo cardíaco estava muito mas muito acima do normal, perguntou-me se era desportista, não sou, mas dizem que tenho um bom coração, talvez isso suporte um elevado ritmo cardíaco.
Fui levada para o posto médico, não sem antes ter um ataque de choro por ter de deixar os meus pais ali, nem sem antes os fazer jurar a pés juntos que sairiam se o fogo chegasse aos pinheiros. Nunca chegou.
E ali ficaram eles até às 6 da manhã a olhar para duas casas a arder, até a combustão das mesmas começar a diminuir lentamente.

No posto, recebi medicação, oxigénio, descobri que a pele das minhas costas tinha saltado e comecei a ouvir as histórias terríveis, longe muito longe de imaginar a tragédia que seria revelada com o nascer do dia.
Lá pelas 5 e tal da manhã fomos para a santa casa, dormir um pouco diziam eles, ninguém dormiu, ninguém conseguia tirar da cabeça as imagens que viveu, ninguém conseguia ficar sem saber dos seus. Passei o tempo a enviar mensagens para a minha mãe, a ligar para o numero da vizinha (e que eu a obriguei a deixar com o Bruno) que magicamente sempre tinha rede, sempre sem saber se me diziam a verdade ou se me mentiam para acalmar.
Aqui ouvi duas histórias que nunca mais me sairão da cabeça, não são minhas e por isso não as contarei, mas sempre que penso nelas, relembro-me a sorte que tive e tenho.
Passaram por lá psicólogos mas ainda não havia muito a fazer, ninguém ainda tinha interiorizado a tragédia que tinha acontecido.

As 8 da manhã o meu pai foi-me buscar, no caminho fui percebendo que tudo estava queimado, não havia floresta, nenhuma floresta.
Já em casa fui às casas vizinhas procurar animais feridos, não achei, apenas esfomeados, alimentei-os.
Comecei então a racionalizar que precisava de sair, tinha de voltar a Lisboa antes que cortassem outra vez as estradas.
Eram 9 da manhã, estava novamente um calor horrível  e eu sabia, sabia dentro de mim que o fogo ainda não tinha consumido tudo o que tinha para consumir, não imaginei que ainda hoje estaria activo, mas sabia que não seria no domingo que ele seria apagado.

Saímos às 11 e tal de lá, com um aperto no peito de deixar os vizinhos mas a certeza que se não saíssemos naquela altura, ou não saiamos mais naquele dia ou seriamos apanhados pelas chamas em alguma parte do caminho.

Fiquei sem videiras, sem árvores de fruto, sem oliveiras, sem a cerca do quintal que não será reposta num mês, em dois e se calhar nem sequer num ano, fiquei sem as amoras que comia enquanto corria na floresta, fiquei sem a floresta que me acolhia sempre que me apetecia.
Mas estou viva, estamos vivos, salvamos a casa e tudo isto é mais do que muitos podem dizer.

Perguntam-me muitas vezes como me sinto, este é o melhor exemplo que vos posso dar.
Na terça feira olhei para as moedas que tinha na carteira e pensei: "não preciso de por o euro milhões, eu já ganhei o euro milhões"
É assim que me sinto... Sortuda e muito muito abençoada.

Obrigada meu Deus! Por tudo.. Sempre...



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Eu acredito e depois?

As pessoas tem medo de falar de religião, como se dizer "eu acredito em Deus" nos tornasse imediatamente um bando de fanáticos religiosos ou um bando de gente maluca.
Porquê? Em que momento do mundo se tornou "perigoso" assumir aquilo em que acreditamos? Em que momento se tornou mais "cool" negar as suas crenças do que assumir publicamente que acreditamos em Deus?

Eu acredito em Deus, eu acredito que ele caminha ao meu lado em todos os momentos da minha vida, eu acredito que ele me ampara as quedas e me dá a mão nos momentos em que preciso de me levantar, eu acredito inclusive naquela fábula em que ele nos pega ao colo quando não conseguimos mais andar.
E isso torna-me louca? Descompensada? Menos credível aos olhos de alguém?

Eu rezo todas as noites antes de adormecer, eu acredito em anjos da guarda, em planos espirituais, em vidas passadas, em reencarnação. E depois? Porque é que não devia acreditar se isto faz sentido para mim?

Eu acredito em ser gentil para os outros, em dar sempre o melhor de mim, em reagir com amor mesmo quando do outro lado não é isso que estou a receber.
Eu acredito em não deixar que o comportamento do outro determine o meu comportamento, em espalhar amor, alegria e felicidade em todos os lugares onde vou.
Porque para mim Deus é amor e a missão que ele nos deu foi a de amarmos os outros, foi a de sermos felizes, foi a de respeitarmos os outros independentemente das suas crenças.
Então se é nisto que eu acredito porque não posso falar? Porque tenho que ter medo dos rótulos de alguém que simplesmente não entende aquilo que sou, que penso ou que faço?

Eu não sinto necessidade de falar de 5 em 5 minutos que acredito em Deus e que ele guia a minha vida mas se outra pessoa sente porque é que havemos de julgar? Porque é que ela é menos normal do que eu ou qualquer outra pessoa, se a normalidade nem sequer existe?

Então sejam aquilo que quiserem ser desde que sejam sempre o melhor de vocês mesmos, acreditem - ou deixem de acreditar - naquilo que quiserem mas respeitem o outro sem terem necessidade de lhe colocar rótulos ou de se acharem melhor do que ninguém.
Eu não sou melhor do que um ateu nem o ateu é melhor do que eu, deixemos-nos de hipocrisias, se Deus é amor como podemos disseminar a confusão em vez de aceitar que cada pessoa é diferente e acredita em coisas diferentes?

A melhor forma de honrarem aquilo em que acreditam é espalhando o amor, mesmo que alguém vos ache muito louca ou numa vibe muito alternativa. O que importa é que vocês façam sempre o que o vosso coração vos mandar.
Eu sou feliz a acreditar em Deus, sejam felizes também (acreditando ou não).



segunda-feira, 12 de junho de 2017

Só agradece!

Quantas vezes por dia páras para agradecer aquilo que tens?
Quantas vezes agradeces a oportunidade de acordar mais um dia e continuar a lutar pelos teus sonhos?
Quantas vezes agradeces a saúde, a família, os amigos, o emprego, ou qualquer outra coisa boa que exista na tua vida?

Perdemos tanto tempo a reclamar deste mundo e do outro e tão pouco a agradecer aquilo que Deus  nos dá.
Porquê?
Porque é que é mais fácil reclamar do transito em vez de agradecer o carro?
Porque é que é mais fácil reclamar do frio em vez de agradecer a roupa?
Porque é que é mais fácil reclamar da doença em vez de agradecer a possibilidade de termos como nos tratarmos?
Porque é que é mais fácil reclamar com alguém por algo que fez mal do que agradecer pelas milhares de coisas que já fez bem?

Porque é que preferimos sempre ver o lado mau das coisas em vez de nos focarmos nas coisas boas e nos limitarmos a agradecer por elas?
Gratidão gera gratidão e o universo devolve aquilo que lhe enviamos, então se estamos sempre a enviar-lhe energia negativa com as reclamações que fazemos ao longo do dia, como podemos esperar que ele nos retribua com coisas boas?

Olha à tua volta, descobre as milhares de coisas que merecem ser agradecidas e agradece. Mas agradece de verdade, não porque fica bem ou é algo automático em ti, pára e olha à tua volta, agradece as pessoas que a vida te deu, agradece a oportunidade de veres o sol, agradece o simples facto de teres acordado.

Hoje é dia de reclamar menos e agradecer mais.

Lembra-te, o Universo dá-te o que tu lhe dás a ele, então: só agradece!